Capítulo 6 – Quando o Amor é a Única Riqueza

Por mais que Ney e Ray tivessem sonhos grandiosos, a vida parecia querer testá-los no limite. A fase seguinte não trouxe estabilidade, mas sim o fundo do poço financeiro.

Em 2002, decidiram tentar uma nova vida em outra cidade. Embalaram esperanças em caixas, levaram poucas coisas e acreditaram que aquele seria o recomeço definitivo. Só que o destino tinha outros planos. O trabalho não deu certo, as contas começaram a se acumular e, pouco a pouco, foram perdendo o que tinham.

Houve um momento em que olharam ao redor e perceberam: não havia mais nada. Nenhum bem, nenhum dinheiro guardado, nenhuma rede de apoio sólida. Apenas eles dois, um ao lado do outro.

A decisão dolorosa foi voltar para Salvador, para a casa da mãe de Ray, em 2005. Para Ney, que sempre quis oferecer mais, aquilo foi um golpe no orgulho. Para Ray, foi uma ferida silenciosa: “Será que a gente não vai conseguir nunca?”

Mas, mesmo no meio desse caos, havia algo que nunca se perdeu: o companheirismo.

Quando a geladeira estava vazia, dividiam o que tinham. Quando a conta de luz atrasava, um olhava para o outro e dizia: “Vai dar certo, a gente só precisa aguentar mais um pouco.”

Foi também nessa época que eles viveram situações que, anos depois, viraram histórias contadas entre risos. Como o dia em que, mesmo sem um centavo, decidiram caminhar até a praia e acabaram dormindo na areia, abraçados, esquecendo por algumas horas que o mundo lá fora existia.

E o mais curioso: até os micos daquela fase viraram lembranças que reforçam o quanto eles sempre foram cúmplices. O maior deles? Uma tarde em que, levados pela paixão, decidiram fazer amor no mar, acreditando que estavam sozinhos. Só depois perceberam que um grupo de operários, montando um camarote, observava a cena à distância. Vergonha? Sim. Mas também uma prova: eles conseguiam encontrar prazer e vida mesmo quando tudo parecia pesado demais.

Se havia algo que o dinheiro não podia comprar, era aquela sensação de que, mesmo falidos, eles tinham o que mais importava: um ao outro.

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