Capítulo 10 – E Se Um de Nós For Embora Primeiro

Ney e Ray vivem com uma certeza que, para muitos, é assustadora, mas para eles é apenas real: um dia, um deles vai partir antes do outro. E essa é, talvez, a única situação que não sabem como enfrentar.

Eles já passaram por tudo:

  • pela fome e pelo endividamento;
  • pelo preconceito e pelos julgamentos;
  • por erros que poderiam ter destruído a relação;
  • por noites chorando e, ainda assim, dormindo abraçados.

Mas imaginar um mundo em que um acorde sem sentir o outro respirando ao lado… isso é o que os paralisa.

Ney costuma brincar, meio sério, meio tentando aliviar a dor:

“Se eu for primeiro, Ray enlouquece. Se ela for primeiro, eu não vou ter a menor noção do que fazer.”

Não é drama. É apenas o reconhecimento de que eles se tornaram uma vida só.

Essa consciência também os faz viver diferente.

Eles sabem que o amanhã não está garantido. Por isso:

  • Não deixam um “eu te amo” para depois.
  • Não dormem brigados, mesmo quando a raiva lateja.
  • Se abraçam mais do que falam.
  • E criaram pequenos sinais, como o assovio secreto, porque mesmo no meio de uma multidão, precisam sempre conseguir se encontrar.

Há quem diga que isso é dependência. Mas para eles, é amor escolhido e cultivado. Não porque precisam um do outro para existir, mas porque descobriram que a vida tem mais sentido quando dividida.

O “Ninho dos Gattos” é também um símbolo disso: quando eles não estiverem mais aqui, querem que as pessoas saibam que existiu um casal que, mesmo sem dinheiro, sem grandes posses, sem o aplauso do mundo, construiu um amor tão forte que nem o tempo vai apagar.

E, se o destino fizer sua parte e separar seus corpos, Ney e Ray já decidiram uma coisa:

“Um dia, de algum jeito, a gente se encontra de novo. Porque tudo isso que vivemos não pode acabar assim.”

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